Quando
um cliente me procura, como terapeuta de regressão, geralmente,
inicio a sessão com uma entrevista, cujo objetivo é
checar problemas recorrentes, e esclarecer que a técnica
de regressão é usada como ferramenta, dentro de
um processo terapêutico, e não apenas como mera curiosidade.
Em
um segundo momento, peço ao cliente que relate a sua história
pessoal, desde o nascimento, observando a ocorrência de
doenças e perturbações emocionais, para que
eu possa identificar fatos relevantes.
Deitado,
de olhos fechados, após um simples exercício de
relaxamento, o cliente é encorajado a dizer tudo o que
lhe vier à mente, tentando se manter aberto ao que vai
ser mostrado em sua própria tela mental. Assim que as imagens,
palavras, e sentimentos começam a se intensificar, sugiro
a ele que os siga, para que qualquer história apareça,
nesta ou em outra vida. Nessa situação, não
importa a crença na reencarnação, deve-se
deixar, apenas, que a história se manifeste, como se fosse
real, durante o período da sessão.
É
bem possível que o cliente se veja em um corpo e com uma
personalidade muito diferentes do seu eu. Seguindo os princípios
do psicodrama, o cliente é encorajado a reviver, em sua
plenitude, os momentos mais importantes e decisivos daquela outra
vida, sejam eles quais forem, por mais confusos e incoerentes
que pareçam ser. Ele é, então, conduzido
até à consumação, para que esta memória
seja revivida no nível da consciência física.
Podem ocorrer sensações de dormência, calor,
frio, paralisia, formigamento, ou sacudidelas, pois todas elas
fazem parte do processo somático de liberação
espontânea, ou seja, expressam a liberação
da energia bloqueada, que estava associada a um trauma antigo.
Trata-se do mesmo princípio usado, com êxito, em
vítimas de neurose de guerra, segundo o qual só
é possível se liberar de um trauma relembrado-o.
É
necessário, completar a recordação de uma
história até a morte daquela personalidade específica,
pois só assim, a sensação de consumação
e de distanciamento é atingida. A transição
da morte é uma chance para se livrar de pensamentos, sentimentos
e dores. No período pós-morte - Bardo, definido
pelos budistas tibetanos - é onde se tem a valiosa possibilidade
de refletir sobre os temas da vida passada, e sobre os problemas
que nela não foram resolvidos, integrando-os com maior
consciência.
Há aspectos dolorosos e, às vezes até vergonhosos
do eu, que terão de ser enfrentados. Segundo Roger Woolger,
eles são chamados de elaboração da sombra,
na perspectiva Junguiana, o que significa olhar para características
desagradáveis, negativas, e não reprimi-las mais.
Em
geral, trabalho cerca de duas horas para cobrir os três
estágios do processo: entrevista, trabalho intensivo, reflexão
e recuperação. Em seguida, estas vivências
são incorporadas à terapia propriamente dita, com
o intuito de se ter mais dados e maior proximidade dos temas abordados.
Trata-se de um método bastante diferente de outros, que
apesar de mais demorados, não conseguem envolver a pessoa
em termos de experiências, ficando só no nível
intelectual e interpretativo.
Acredito
que a liberação mental, emocional e somática
é absolutamente indispensável para o processo de
cura completa.
Texto por Ana Paula Miranda
E-mail:apunita@hotmal.com