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Presença de Outros Mundos na Psicoterapia e na Cura
Este
artigo é cópia de uma palestra, parcialmente editada,
que foi feita durante a Segunda Conferência Além
do Cérebro patrocinada por Scientific and Medical
Network (Reino Unido) e o Institute of Noetic Sciences
(EUA), no St. John’s College, Cambridge, Inglaterra, 21-24
de agosto de 1997.
Traduzido
por: Jussara de Avellar Serpa
Publicado
por: Woolger Training International
9
Ann Lane, Rosendale, New York 12472 EUA
Sob seu primeiro ímpeto, o pensamento filosófico é
simplesmente metafísica, pois é apenas um ir além...
Já foi dito que isso se inicia no maravilhar-se. Uma perplexidade
inicial marca a abertura de uma nova dimensão da transcendência.
Através de um movimento de desfocalizar, o mundo se torna
desarticulado e é mostrado em relevo.
Pierre Thevenaz, What is Phenomenology? [1]
O
mundo visível foi feito para corresponder ao mundo invisível
e não há nada neste mundo que não seja símbolo
de algo naquele outro mundo.
Al Ghazzali [2]
Meu
principal propósito aqui é argumentar sobre a favor
da presença de mundos múltiplos, espirituais e visionários,
que interagem e interpenetram este. A partir de uma visão
multidimensional da realidade, rejeito enfaticamente a visão
materialista unidimensional, apoiada pelo pensamento científico
convencional, na qual os eventos são tidos como produtos
energéticos de circuitos cerebrais e bioquímicos.
Estas visões científicas, energéticas e materialistas
da mente são reducionistas e estão inconscientemente
presas ao literalismo de suas próprias metáforas.
Portanto, no espírito da conferência, minha intenção
é ir além do cérebro e do materialismo e reafirmar
o ponto de vista espiritual comum às tradições
sagradas.
O Estudo da Consciência como Campo Energético e Partícula
Atômica
Se
você sente desconforto com a palavra “espírito”,
pense em espírito como a forma mais sutil da matéria...
Sri Aurobindo [3]
Se
a matéria veio a ser ou se a carne veio a ser por causa do
espírito, isso é um prodígio.
Mas se o espírito veio a ser por causa da matéria
ou da carne, isso é o prodígio dos prodígios.
Evangelho de São Tomás [4]
Uma
pergunta que sempre me intrigou sobre a visão materialista
da mente é: ‘Como pode a consciência estar (em
+ o) no cérebro e como pode o espírito ser uma parte
do mundo natural quando nenhum dos dois parecem ser entidades totalmente
materiais governadas pelo tempo e o espaço?’ Isto sempre
me pareceu análogo a perguntar: ‘Na realidade há
música no meu CD?’ Ou: ‘Na realidade há
energia eletromagnética dentro de um magneto?’ Contudo,
tais analogias podem ser enganosas, se não extremamente sedutoras.
Pois o físico dirá que a música é emitida
pelo CD (quando tocado de forma apropriada) como ondas de som e
que o eletromagnetismo que envolve e penetra o magneto é
um campo de energia. Isto permite que o fisiólogo cerebral
diga que o cérebro pode ser visto, por uma analogia semelhante,
como possuidor de um campo de energia que transmite ondas de pensamento.
Ele então sente-se totalmente justificado e garantido ao
procurar os caminhos neurais e bioquímicos percorridos pela
energia do pensamento.
Através
de uma série de movimentos, aparentemente lógicos
(embora estritamente falando sejam analógicos), o materialista
localizou a mente na natureza, conforme dito pelo filósofo
C. D. Broad. Apoiando isso há os fatos óbvios de que
não há música se eu quebrar meu aparelho de
CD e o CD; não há magnetismo sem o imã e não
há pensamento se eu for atropelado por um ônibus. As
entidades físicas de um tipo ou de outro são condições
obviamente necessárias para que ocorram os padrões
de ondas, o magnetismo, os campos de energia sutil e o pensamento.
Mas,
este é o quadro completo? Claro que minha experiência
de música é algo diferente de uma onda sonora, e o
pensar não é o mesmo que ativar um circuito neural?
O
filósofo Heidegger disse que a ciência está
baseada em um esquema explicativo projetado para converter tudo
o que é estudado em algo no espaço, localizado lá
em cima e subsistindo separadamente daquilo que está oposto
a nós. Não faz diferença se a coisa em questão
for uma cadeira, um homem, um átomo, um dado de senso, ou
um corpo. Estará lá, de alguma forma. E quando está
lá fora há coisas nele/a e está ‘no’
espaço. Assim, diz Heidegger, é como nós imaginamos
os objetos. [5]
Portanto,
até onde a ciência fez da mente ou da consciência
um objeto de investigação - e não um sujeito,
note bem - produziu muita coisa estimulante e provocante no último
século. A visão epifenomenal da mente, que trata a
consciência como uma freqüência ou campo de energia
envolvendo e penetrando o cérebro e o sistema nervoso, tem
ocupado algumas das melhores mentes científicas. É
só pensar, por exemplo, no trabalho extraordinário
de Elmer Green de quase 30 anos na Fundação Menninger
em Kansas onde ele registra mudanças de vibracionais no que
ele denomina de biocampo. Ele mediu com sucesso os campos de vários
iogues, curandeiros e xamãs praticantes. [6]
Nos
ensinos hindus tradicionais estes campos são chamados de
sthula ou envolturas de energia ou os corpos sutis.
Há hierarquias sutis deles que ascendem como oitavas vibracionais.
O livro de Barbara Brennan, Mãos de Luz, nos dá imagens
clarividentes destes corpos ou campos sutis para nos ajudar a entender
como eles se relacionam aos conceitos de Wilhelm Reich dos fluxos
de energia e bloqueios no corpo. [7] Outra versão ocidental
desta doutrina de iogue é a teoria e prática de David
Tansley do que ele denominou de Radiônica. [8] Tanto em Tansley
quanto em Brennan você encontrará descrições
de uma hierarquia de corpos sutis denominados etérico, emocional,
mental e espiritual que envolvem o corpo físico. (Interessantemente,
Tansley atribuiu a fonte de seu modelo ao comentário teosófico
feito por Alice Bailey sobre Os Ioga Sutras de Patanjali,
a fonte clássica do ensinamento hindu.) [9]
Nos
campos de hipnoterapia e regressão ao nascimento David Cheek
e Graham Farrant introduziram independentemente a noção
de consciência celular, reivindicando que a memória
é na realidade armazenada "nas" células
- seguramente, uma vez mais, uma metáfora, contudo a mesma
está ganhando muita popularidade. [10] (Até que ponto
eles foram influenciados pelos ensinamentos de Sri Aurobindo registrados
no livro de Satprem em 1982, A Mente das Células, eu não
sei dizer). Recentemente, no Diário da Rede Científica
e Médica houve referência ao conceito do Professor
Sarkar de microvita, minúsculos elementos
de energia que ele descreve como a suprema fonte de vida. [11] Poderia-se
chamar estes modelos de "atomísticos" contrastando
com metáforas de "campo" da localização
da consciência.
Mais
amplamente, psicoterapeutas que trabalham com regressão,
psicodrama, renascimento e outras terapias experienciais profundas,
há anos vêm falando livremente de consciência
corporal. Recentemente o Dr. Larry Dossey propôs o termo "mente
não-local" para desafiar a teoria da consciência
prevalecente baseada no cérebro. Em minha própria
prática ao explorar dores misteriosas, achei valioso usar
o termo "memória ou consciência etérica"
que segue a teoria de corpo sutil. Isto me permite falar de uma
memória etérica de trauma embutido "no"
pé ou "à volta" dos ombros.
Voltando
às teorias de campo, a maioria das pessoas está familiarizada
com o trabalho russo sobre a Aura de Kirlian, popularizada nas antologias
de Stanley Krippner e John White. [12] Mais recentemente, construindo
sobre os conceitos de Kirlian, a idéia de bioplasma,
um "quinto estado da matéria" foi proposta por
Viktor Inyushin. Inyushin mantém que assim como os sólidos,
líquidos, gases e protoplasma há um quinto estado
da matéria, o bioplasma, que fica contido no biocampo como
segue:
Um
organismo vivo pode ser descrito como um "campo biológico"
ou um "biocampo", um "campo" sendo uma região
que consiste em linhas de força que se afetam mutuamente.
O biocampo tem uma formação espacial clara e é
separado e moldado por vários campos físicos, eletrostáticos,
eletromagnéticos, acústicos, hidrodinâmicos
e muito possivelmente outros inadequadamente explorados. [13]
Claramente
para Inyushin o biocampo ou o campo de energia sutil composto de
bioplasma é um derivado mais refinado dos campos físicos
de energia existentes no corpo. O que temos aqui é filosofia
materialista apresentada na forma de um monismo de energia. Todos
os eventos, psíquicos assim como físicos, são
explicáveis como uma forma ou outra de energia, cada e todo
evento derivando de campos enérgicos maiores ou menores que
incluem todos os aspectos da realidade.
Estas
bastante representativas teorias materialistas do corpo de energia
sutil ou campo de energia de vários modos localizam a energia
e o espírito não apenas ao redor do corpo mas também
em certos lugares no corpo: no cérebro, nos meridianos, até
mesmo nas células - como com "a consciência celular".
Até mesmo nas doutrinas esotéricas, diz-se que o espírito
ou as energias sutis estão de alguma maneira no campo de
etérico ou nos chakras. Assim as imagens clarividentes de
Barbara Brennan das auras localizam corpos de energia no espaço
ao redor do corpo físico; e radiestesistas como Sig Lonegren
ensinam como medir a extensão dos vários corpos sutis
como bolhas que envolvem o corpo físico em graus variados.
Assim,
até mesmo quando falamos sobre "corpos sutis" nós
ainda estamos pensando neles como sutilmente materiais, estendidos
no espaço, confirmando a reivindicação de Heidegger
que toda a ciência imagina quaisquer objetos ou entidades
que estuda como localizados "lá fora, oposto a nós,
localizados no espaço". Não surpreendentemente
a palavra "sutil" traduz em alemão como feinstofflisches,
que literalmente significa coisas ou matérias boas. E como
esse uso de metáforas simples não costuma ser desafiado
- parece que poucos cientistas estudaram fenomenologia - nossos
teóricos seguem inconscientemente concretizando em demasia
seus conceitos e se tornando presas de um reducionismo bastante
estéril onde tudo se torna em algum tipo de energia, vibração
ou campo.
Não
importa o quão comprometidos estejamos com o holismo, com
matar o dragão do cartesianismo e com o diálogo aberto,
não posso deixar de pensar que tal reducionismo impregnante
trai um desejo inconsciente de manter o espírito firmemente
dentro da dimensão material onde o cérebro esquerdo,
ou a consciência racional, pode se sentir seguro entendendo-o
e controlando-o. Ao querer ver o espírito ou a consciência
como objetos ou energias "lá fora" no espaço,
situado "em" no cérebro, na célula ou no
chakra, nos agarramos a um monismo unidimensional e caímos
nas tentações do cientismo. Tal, eu temo, é
o ímpeto por trás de muitas pesquisas atuais altamente
originais, que de outra forma seriam "científicas",
sobre consciência e energia. Me parece principalmente ser
uma defesa contra a "maravilha" de atravessar para dimensões
mais elevadas, contra "ir além" no verdadeiro espírito
da metafísica.
A
Matéria como uma Emanação do Espírito
Um bom artista deixa sua intuição
Conduzi-lo onde quer que queira
Um bom cientista se livrou de conceitos
e mantém sua mente aberta ao que é
Lao-Tzu - Tao Te King (trad. Mitchell) [14]
A
consciência cria a realidade
Amit Goswami - O Universo Autoconsciente
Para
mim, um principal culpado por trás da nossa escravidão
à filosofia do materialismo é a pequena palavra "em".
A partir dos meus exemplos um tanto trabalhados, agora pode estar
claro como, em sua abrangência, esta pequena palavra, enganosamente
inocente, esconde uma metáfora de espaço que trai
sua verdadeira lealdade ao dogma materialista. O uso não
examinado da palavra "em" infelizmente restringe grande
parte da pesquisa neurológica e assumiu o status de um mito
científico sobre a mente, a energia e o espírito,
um mito no sentido Junguiano de "algo que é acreditado
em todos lugares e por todo o mundo".
Pois
quando falamos de espírito como energia ou energia como consciência,
embora acreditemos inteiramente que estes fenômenos pertencem
a um reino sutil ou não-físico, tendemos a imaginá-los
"em" o cérebro ou fluindo "através"
dos nossos campos, sem perceber que estas palavras não são
literais mas sim metáforas, ou seja, verdades empíricas.
Pode ficar mais claro quando dizemos algo como "Eu sei em meu
coração" ou "Eu sinto em minhas estranhas".
Pois embora nossos campos de energia pareçam ter reações
que correspondem a estas partes do corpo, nós ainda parecemos
perceber que as emoções não estão literalmente
armazenadas "em" estes lugares como a glicose ou o protoplasma.
Considere por exemplo, o encantador ditado: "Você nunca
encontrará seu coração em um templo a menos
que você encontre o templo em seu coração."
Seria difícil confundir isto com qualquer coisa diferente
de uma metáfora. Nós não vamos a um cardiologista
para encontrar o templo em nosso coração ou a um arqueólogo
para encontrar nosso coração em um templo! Contudo,
assim que começamos a falar de recordações
"armazenadas no cérebro", nossa consciência
metafórica desaparece repentinamente.
O
místico e poeta indiano Kabir, antecipou nosso dilema em
um poema irônico:
Você
sabe que a semente está dentro da árvore de castanha
da índia;
e dentro da semente estão as flores da árvore,
e as castanhas e a sombra.
Portanto dentro do corpo humano existe a semente e
dentro da semente existe de novo um corpo humano[....]
Pensadores, ouçam, digam-me
o que conhecem que não esteja
dentro da alma?
Peguem uma jarra de água e esta jarra dentro da água
--
agora ela tem água dentro e fora.
Não devemos dar a isto um nome,
a não ser que pessoas tolas comecem, mais uma vez,
a falar a respeito do corpo e da alma... [15]
Sri
Aurobindo coloca de forma semelhante: "o corpo inteiro está
na mente, mas nem toda a mente está no corpo." Ele também
disse, parafraseando a Senhora Blavatsky:
Se
você fica envergonhado com a palavra "espírito"
pense no espírito como a forma mais sutil de matéria.
Mas, se você não fica envergonhado com a palavra espírito,
você pode pensar na matéria como a forma mais densa
de espírito. [16]
O
ponto de vista de materialista requer um movimento para cima, de
forma que espírito seja visto como um refinamento ou vibração
mais elevada da matéria, contudo de alguma maneira secundário,
um tipo de subproduto evolutivo. Do ponto de vista espiritual, por
contraste, a matéria é a emanação mais
baixa ou manifestação mais densa do espírito
cuja concretude e solidez é, no final das contas, uma ilusão
(Maya). Conforme mantido pelo célebre físico David
Bohm: "a matéria é luz congelada." [17]
Se
contrastarmos estas duas visões de mundo radicalmente opostas
poderíamos dizer que a ontologia do materialista vê
a matéria como real e portanto precisa achar as origens da
consciência "dentro" da matéria. Assim, a
mente é vista como um fenômeno vibracional evoluído
ou mais elevado (a visão epifenomenal da mente) cujos aspectos
"transcendentes" precisam ser explicados, de forma reducionista,
como manifestações de energia biológica de
algum tipo.
Por
outro lado, uma ontologia espiritual vê a consciência
como real (Neoplatonismo, Budismo, Advaita Vedanta) e tem a matéria
como uma manifestação mais baixa ou mais densa do
espírito ou da consciência, uma "condensação"
do espírito à forma física, uma encarnação
para baixo. (Não é de se admirar que os pesquisadores
da psique de mente científica da época da Sra. Blavatsky
tenham sido tão desafiados por todas as alegadas materializações
de espíritos.)
É
fácil apreciar, com nosso conhecimento de ondas de rádio,
laser, partículas atômicas, microbiologia, fenômenos
de Kirlian etc., a atração sedutora do modelo enérgico
proposto pelos materialistas. Ele alimenta nossa soberba de que
como cientistas finalmente chegamos ao Grande Quadro das coisas,
aquela ilusão implacável de que cruzamos as últimas
fronteiras da compreensão. Assim é mais confortante
poder explicar aquilo que não entendemos em termos daquilo
que entendemos. Não obstante, metáforas biológicas
como "bioplasma" ou consciência "celular"
são, no fundo, reducionistas para o paradigma materialista;
ignorar isto é estar encantado por nossa escolha de linguagem
e nossa parcialidade a certas metáforas da moda. Assim, a
ciência fica cativa em uma prisão conceitual criada
por ela mesma.
A
partir de minhas próprias experiências, e das dos meus
clientes, com encontros espirituais e do outro mundo, é uma
paródia reivindicar que fenômenos do espírito
podem ser reduzidos a componentes biológicos, sejam eles
bioplasma, microvita ou até mesmo energia etérica.
Mas isto não é dizer que o espírito não
possa se manifestar em formas que podem ser percebidas deste modo
pela consciência visionária ou clarividente. Quase
todas as metáforas biológicas e materialistas acabam
confundindo o recipiente com o que ele contém - como a jarra
dentro da água de Kabir.
Não
importa o quão engenhosas sejam as teorias da física
e da biologia, enquanto tais disciplinas não conseguirem
encontrar meios para reconhecer aquelas dimensões mais elevadas
que não são de tempo e espaço e que transcendem
e incluem o reino físico, a ciência física nunca
abarcará completamente nem se unirá de forma frutífera
com a meta-física. Sem este passo, todos os empreendimentos
de ciência, não importa quão grandiosos ou sublimes,
permanecerão unidimensionais e reducionistas. O que se busca,
nas palavras de Henry Corbin, é "um tipo de cosmologia
que mesmo a informação mais espantosa da ciência
moderna sobre o universo físico permaneça inferior
a ela."
É
minha contenda, apoiada pelos ensinamentos metafísicos das
tradições sagradas, que a dimensão espiritual
é diferente de e de uma ordem mais elevada que os campos
de energia pelos quais o espírito se manifesta no mundo físico.
Além disso, existe um universo intersecional intermediário
onde o espírito se manifesta através do mundo material
e onde nós, mutatis mutandis, em nossos corpos espirituais
ou sutis, podemos sair do material e ir além, para o espiritual.
É este mundo intermediário sutil, este lugar mediano,
que é freqüentemente experienciado na forma de campos
psíquicos ou como forças paranormais ou seres sobrenaturais,
como percepções clarividentes e sutis, como visão
extática e transporte místico.
A
investigação destes reinos mostra claramente que todos
esses fenômenos, embora freqüentemente descartados como
"mera" imaginação, de fato provêm
de uma fonte mais elevada e não mais baixa, falando ontologicamente,
mesmo se seus conteúdos às vezes sejam de uma qualidade
espiritualmente inferior ou "demoníaca." O recentemente
falecido Sir George Trevelyan era inflexível sobre a necessidade
de restabelecer a imaginação e a capacidade visionária
a seu papel legítimo como função espiritual
que pode perceber estes reinos mais "elevados." Escrevendo
sobre o trabalho do médium W. Tudor Pole, que via vidas passadas,
Sir George escreveu o seguinte:
Para
ele [Tudor Pole] estas lembranças não são enfaticamente
o produto de imaginação; tal palavra foi rebaixada
a significar a tecelagem de fantasias. Em seu verdadeiro sentido
ela implica uma entrada, através de pensamento pictórico,
para uma "freqüência" mais elevada, um mundo
de realidade e forma de ser que está além das limitações
dos cinco sentidos. Este é o primeiro passo da pesquisa e
a exploração dos reinos espirituais que interpenetram
nosso mundo físico de vida e forma de ser...
[Tais]
recordações são um exemplo de algo que está
se desenvolvendo atualmente no pensamento humano. Em nossa época
estamos adquirindo uma nova compreensão da verdade que os
reinos espirituais certamente interpenetram o físico. Realmente
o mundo de formas materiais é visto como uma imagem ou reflexo
do espiritual que o cria. Os reinos do espírito não
estão distantes, mas sim dentro do mundo dos sentidos e estão
lá para ser alcançados por nosso pensamento intuitivo.
[18] [Minha ênfase]
O que é a Imaginação?
Oh
a mente, a mente tem montanhas; precipícios de queda
Assustadores, deslizantes, nunca-mergulhados.
Ache-os triviais
Aquele que nunca ficou lá pendurado
Gerard Manley Hopkins
Após
quase duas décadas como psicoterapeuta conduzindo clientes
através de vários tipos de experiências chamadas
de "regressão" — a cenas perdidas da infância,
a traumas de nascimento, a impressões de outras vidas, a
reinos além da morte e a espaços visionários
extraordinários, me percebi questionando muitas de minhas
suposições básicas sobre o que a imaginação,
a imagem e até mesmo os arquétipos são. Embora
treinado na tradição Junguiana que valoriza a imaginação
como o idioma da alma, já não me parecia que o que
encontrávamos eram apenas imagens, nem mesmo imagens arquetípicas,
e já não adiantava explicá-las como acontecimentos
em algum tipo de estado alterado de consciência. Muitas das
visões são tão vívidas e surtem efeitos
tão profundamente transformadores no sujeito que comecei
a questionar se na realidade com tal linguagem eu havia sutilmente
sucumbido a uma forma de reducionismo mais perniciosa ainda –
reducionismo psicológico. Estaria eu caindo na armadilha
de acreditar na calúnia crítica e ignorante sobre
todas estas experiências, de que são "só
imaginação" ou pior, "só arquétipos?"
No
decorrer destes anos, as pessoas realmente disseram "Seus clientes
estão inventando tudo porque está na moda para ter
vidas passadas e experiências fora do corpo". A dificuldade
com esta objeção é que ela coloca uma pergunta
muito grande: o que é a imaginação? Todo mundo
sabe como é imaginar mas isso por si só não
explica de onde nossas imagens provêem ou de que maneira são
produzidas ou reproduzidas. Se estudarmos nossos sonhos por alguns
meses ficaremos atônitos pela surpreendente variedade e gama
de imagens que eles põem para fora. A psique parece ter uma
inesgotável piscina de imagens estranhas e exóticas,
sobre a maior parte das quais seria quase que impossível
prestar conta.
A
psicologia acadêmica, como existe agora, está com uma
enorme dificuldade para definir a imaginação. Ela
nem mesmo é assunto de estudo nos livros didáticos
de psicologia. Se você pegar um livro básico de um
curso de Psicologia 1 em qualquer faculdade americana e olhar no
índice, você não encontrará a palavra
"imaginação". Você poderá encontrar
as palavras "imagem" ou "imaginário".
Para estudar a imaginação a nível universitário
você precisa ir ao departamento de literatura onde ela aparece
sob a rubrica de "teoria literária" – Coleridge,
Wordsworth etc. Os teóricos literários, porém,
têm o cuidado de dizer que não estão escrevendo
psicologia. É possível que o único lugar onde
você encontre um estudo sério da imaginação
seja no departamento de psiquiatria de uma escola de medicina onde
ilusões, alucinações e fantasias exóticas
são todas estudadas como sintomas de patologia mental. Uma
visão pouco caridosa da imaginação!
Não
obstante, os psiquiatras são os que estão mais próximos
de todos a ter uma respeitável e até mesmo respeitosa
teoria da imaginação. Os pioneiros da psicanálise,
especialmente Sigmund Freud e C. G. Jung, estavam entre os primeiros
a estudar seriamente a imaginação, chamando-a de "mente
inconsciente" segundo alguns filósofos alemães.
Graças às suas pesquisas e perseverança, a
idéia da mente inconsciente até mesmo foi considerada
pelo filósofo e psicólogo americano William James,
como "a maior descoberta do século XX". É
uma pena ele não Ter dito o mesmo sobre a imaginação,
porque infelizmente, ainda é pejorativo comentar uma experiência
incomum dizendo: "é só sua imaginação."
É triste dizer, mas a imaginação foi rebaixada
a ser vista como um dos aspectos mais inferiores e triviais da mente.
Nós estamos muito longe da "Imaginação
Sagrada" de William Blake.
Na
realidade, os mestres da imaginação que precederam
os psicanalistas foram de fato os grandes poetas e visionários.
Dante fez sua descida imaginal aos reinos visionários do
Inferno e então a subida através do Purgatório
até chegar ao Paraíso. A profunda exploração
feita por Shakespeare do coração humano em suas tragédias
e comédias levaram o crítico Harold Bloom a classificá-lo
junto aos grandes visionários místicos do Sufismo.
William Blake lutou com seu próprio universo interior de
principados visionários e poderes de forma a produzir uma
literatura extraordinária e duradoura. Goethe dramatizou
a luta perene entre o bem e o mal em seu grande trabalho visionário,
Fausto. Freud e Jung foram na realidade os principais
herdeiros da coragem visionária destes grandes exploradores
da imaginação criativa. No consultório a imaginação
revelou a eles seu enorme poder quando manifesta no mundo dos sonhos
e de visões despertadoras. O trabalho deles testemunha um
respeito eterno pelo enorme poder curativo e imaginativo da alma.
O
verdadeiro problema para entender a imaginação está
em nosso hábito de ignorar as grandes tradições
visionárias e de, ao invés disto, conferir demasiado
poder aos preconceitos estreitos da psicologia acadêmica —
uma disciplina cuja insistência quase fundamentalista em ser
"científica" exclui totalmente os alcances multi-dimensionais
da alma. Como James Hillman uma vez disse de tal academicismo: "a
linguagem da psicologia é um insulto à alma".
Aqui mais uma vez, o cérebro esquerdo (o lado racional) parece
estar tentando explorar o cérebro direito (o lado criativo)
e negar totalmente que o último tenha um modo de saber completamente
único em si mesmo.
Paralelo Xamanístico
As
jornadas trazem poder e amor de volta a você.
Se você não puder ir a algum lugar,
Transite nos caminhos do self.
Eles estão como feixes de luz,
sempre mudando e você muda
quando você os explora
Jalal Udin Rumi [19]
Em
minha experiência pessoal como psicoterapeuta nem sempre achei
fácil confiar na minha faculdade imaginativa nem na dos meus
clientes. Porém, percebi que quanto mais buscava interpretar
as experiências de meus clientes, relocando-as para estruturas
racionais ou até mesmo simbólicas (Freudiana ou mesmo
Junguiana), mais minhas interpretações lhes impediam
a abertura para experiências mais profundas. Fui descobrindo
que precisava abrir mão de minha própria necessidade
de interpretar (cérebro esquerdo). A interpretação,
que agora percebo como ainda outro tipo de atividade reducionista,
nos impede, tanto como curadores quanto como clientes, de explorar
completamente aquelas dimensões espirituais mediadas pela
imaginação ou de permitir que as dimensões
espirituais realmente façam parte de nosso trabalho. Nos
impede de experienciar aquela sensação de maravilhamento
ou "de ir além" que é a essência da
genuína metafísica segundo o filósofo Pierre
Thevenaz.
Com
certa relutância percebi que quando seguia meus clientes nos
"mundos" que eles experienciavam em "imaginação"
ou "memória" eu estava participando em um tipo
de jornada xamanística. Sem saber, eu estava entrando em
seus mundos sutis e viajando com eles, inicialmente sem perceber
que isto é exatamente o que xamãs fazem: eles viajam.
Pois no final que diferença há entre "regressão"
e "viajar" ou entre "cisão psíquica"
e "perda da alma"? É apenas uma questão
de preferência de linguagem - psicanalítica ou xamanística.
Da mesma forma, não faz diferença se usamos um sofá,
um pêndulo ou um chocalho; se a técnica é bem
sucedida em induzir um estado de transe ela possibilitará
que pessoa a "transitar nos caminhos do self" conforme
dito por Rumi com tanta beleza.
Portanto,
acredito progressivamente que quanto mais pudermos, como psicoterapeutas,
deixar de lado nossa atitude mental racional ou de “cérebro
esquerdo” – praticando "o proposital suspender
da descrença" de Coleridge - e pudermos abraçar
a perspectiva de realidade visionária ou de “cérebro
direito”, mais encontraremos aquela percepção
sutil que Henry Corbin, o grande estudioso do Sufismo, chamou de
imaginação espiritual. Uma vez que comecemos a cultivar
esta poderosa espécie de percepção poderemos
viajar entre realidades, encontrar outros mundos além do
mundo físico onde temos um acesso sutil à fonte universal
da cura que é Espírito.
Quando
comecei a perceber isto meu trabalho me levou a estudar uma variedade
de fontes esotéricas, especialmente as dos Livros
Tibetanos dos Mortos, os Upanishads, os
místicos Iranianos descobertos por Henry Corbin,
Platão e o misticismo Neoplatônico
de Plotino assim como outros visionários
mais modernos como Shakespeare, William
Blake e Emmanuel Swedenborg. Entre todas
estas tradições e videntes é de conhecimento
comum a existência de sentidos mais elevados ou sutis que
podem ser despertados deliberadamente pela prática de determinadas
disciplinas espirituais rigorosas. Estas disciplinas freqüentemente
envolvem um tipo de "aprender a morrer" para renascer,
no sentido visionário, nestes mundos mais elevados. Na realidade
fica claro que a característica essencial em todas as tradições
ditas Misteriosas do mundo antigo tem que ver com superar o medo
da morte literal para descobrir que a alma é imortal e pode
viajar a realidades mais elevadas quando instruída de forma
apropriada.
O
que na antigüidade era secretamente ensinado em escolas Gnósticas
e Neoplatônicas, está hoje sendo redescoberto em clínicas,
hospitais e práticas terapêuticas como o que poderia
ser chamado a fenomenologia espiritual do morrer. Quando por exemplo
indivíduos que em uma sessão de regressão a
uma dita "outra vida" se lembram como foi morrer naquela
vida passada, eles também costumam relatar exatamente como
é fazer a passagem para reinos mais elevados ou "outros
reinos" — o que seria chamado de bardo pelo Budismo Tibetano.
Neste outro reino estes indivíduos geralmente percebem que
têm sentidos visionários, acesso a inteligência
mais elevada e a habilidade de se encontrar com "seres de luz"
do outro mundo, que podem aparecer como antepassados ou até
mesmo como seres divinos.
Nos
últimos anos, experiências precisamente semelhantes
têm sido coletadas nos muitos relatos espontâneos de
experiências de quase morte agora registradas, material que
se tornou famoso através dos livros de Raymond Moody e Kenneth
Ring. Todos estes relatos e experiências são semelhantes
aos que ouvimos de viagens xamanísticas em transe profundo,
a mundos espirituais mais elevados e inferiores, onde o xamã,
viajando em seu corpo sutil ou luminoso, que se separou do corpo
físico, se encontra e negocia com poderes espirituais buscando
proteção ou cura. A revisão destes notáveis
paralelos levou o antropólogo alemão, Holger Kahlweit,
a dizer que “até onde sei, uma experiência fora
do corpo é idêntica a uma experiência de quase
morte”. [20]
A
Existência de Mundos Visionários: o Mundus Imaginalis
de Henry Corbin
Minha
alma, há um país muito além das estrelas.
Henry Vaughan
Não
estamos lidando com a irrealidade. O mundus imaginalis
é um mundo de formas e imagens autônomas...
É um mundo perfeitamente real que preserva toda a riqueza
e diversidade do mundo dos sentidos mas em um estado espiritual.
Henry Corbin [21]
Quando
entramos no mundo visionário, não somos restringidos
por tempo e espaço materiais de qualquer tipo. As imagens
se movem extremamente rápido; podemos entrar e sair de outras
realidades e dimensões instantaneamente. Para fazer isto
de forma construtiva e não fortuita é melhor praticar
algum tipo de concentração, algum tipo de meditação.
É por isso que Jung desenvolveu a técnica de imaginação
ativa que possibilita um encontro espontâneo com as imagens
ou formas espirituais que ele chamou de arquétipos e que
têm origem nesta realidade psíquica transpessoal que
ele preferiu chamar de inconsciente coletivo.
Na
realidade, quando nos movemos por realidades múltiplas e
"transitamos nos caminhos do self" estamos entrando na
verdadeira essência da oração, da mesma forma
que os xamãs quando viajam para mundos mais elevados e inferiores.
Realmente, trabalhar com uma imagem arquetípica altamente
carregada e praticar o seguir e manter tais imagens firmemente na
consciência é o próprio portal secreto do mundo
material da realidade sensória para os mundos imaginais multidimensionais
do espírito e do ser puro. Tal prática também
é a chave para a cura.
O
mundo multidimensional ou mundo visionário de formas espirituais
era conhecido pelos Sufis árabes e persas como alam al-mithal.
Nos estudos indispensáveis de Henry Corbin de Sohrawardi,
Avicenna e Ibn Arabi este termo é aparece em latim como o
mundus archetypus ou mundus imaginalis. [22] Arquétipo, no
sentido Sufi, significa uma forma espiritual e o mundo que estas
formas puras habitam é, nas palavras de Corbin, "um
mundo perfeitamente real que preserva toda a riqueza e diversidade
do mundo dos sentidos mas em um estado espiritual". Em sua
obra, Corbin faz também uma distinção muito
importante entre o que é imaginário - fantasias que
fabricamos acordados com nossas mentes racionais - e o que é
imaginal - que deriva do mundus imaginalis de ou
a realidade mais elevada da Imaginação espiritual.
O
mundus imaginalis é conhecido por muitos nomes em tradições
esotéricas e espirituais. É chamado em Platão,
de Mundo Intermediário, o metaxy. [23] No Budismo Tibetano,
a soma total destes mundos, conhecidos individualmente como Bardos,
ou "intermediários" são chamados de Sambhogakaya
que quer dizer o Corpo de Bem-aventurança (depois voltaremos
a esta cosmologia). Os Bardos incluem estados após e entre
vidas assim como antes do nascimento; eles estão entre a
realidade física e o espírito puro. No mundo Ocidental,
este mundo intermediário é às vezes chamado
de mundo invisível, mundo não visto, mundo espiritual,
ou reino do meio.
Este
reino também é o mundo de corpos sutis, cuja localização
mais elevada tem importantes implicações para o problema
de como nós localizamos os campos de energia sutis discutidos
anteriormente. Pois como Corbin também observa com respeito
ao mundus imaginalis:
“Este
é o mundo de “corpos sutis” do qual é
indispensável ter-se alguma noção para entender
que há uma ligação entre o espírito
puro e o corpo de material. [24]
Este
mundo no estado sutil, que inclui muitos graus e que é impenetrável
pelos órgãos sensórios, é o lugar real
de todos os eventos psicoespirituais (visões, carismas, ações
taumatúrgicas que quebram as leis de espaço e tempo),
que são considerados simplesmente como imaginários
– isto é, como irreais - porquanto a pessoa permanecer
no dilema racional que é restrito a uma escolha entre os
dois termos de dualismo banal, "matéria" e "espírito",
correspondendo àquele outro: "história"
ou "mito." [25]
Indispensável
também é a consciência de que com o corpo sutil,
cada um de nós tem a faculdade sutil ou órgão
que nos permitem transitar no mundus imaginalis. Esta faculdade
é a imaginação criativa que, como enfatiza
Corbin, é o poder imaginal através do qual o espírito
age.
Ao
todo, o trabalho de Corbin em muito amplia e clarifica a natureza
e dinâmica das viagens visionárias, ou caminhos místicos,
tais como a descida para o mundo inferior do Inferno e depois para
o mundo superior do Paraíso de Dante. Maomé fez seu
mi'raj ou Viagem Noturna em um semelhante estado visionário.
Desta perspectiva não há absolutamente qualquer dúvida
de que quando os indivíduos passam por uma experiência
de quase morte eles estão viajando no sentido xamanista,
saindo do corpo temporariamente e encontrando uma realidade mais
elevada. [26] Estamos falando sobre lugares espirituais reais, embora
sejam lugares sutis ou imaginais, mas de forma alguma simplesmente
produtos de fantasia, que mais corretamente pertencem à imaginação
inferior, aquela do ego. Quando São Paulo foi elevado ao
"sétimo céu" ele indubitavelmente passou
por uma extática experiência fora do corpo durante
a qual visitou uma determinada região do mundus imaginalis.
A
Visão de Sohrawardi: Indo Além do Monte Qaf
E
a pedra que ele tocou era a cova dos olhos de todos os homens
E ele tocou a fonte da visão
Vernon Watkins - Taliesin e a Primavera da Visão
Um homem que olha um vidro,
Nele seu olho pode ficar
Ou se ele desejar passar através dele
E então os céus espiar
George Herbert - O Elixir
Em
uma exposição por Corbin de O Anjo Carmesim [27],
uma das grandes narrativas Sufi pelo místico Sohrawardi,
nos é mostrado como é possível adentrar este
mundo onde espaço e tempo são estados puramente relativos.
De acordo com a história um cativo acabou de escapar dos
olhos alertos dos seus carcereiros. Em outras palavras, ele escapou
do mundo físico de forma muito semelhante à descrita
no famoso poema de São João da Cruz, "Fui para
o estrangeiro quando toda a casa estava quieta." [28] (Estas
experiências freqüentemente acontecem às pessoas
à noite quando acordam de repente e percebem que não
estão em seus corpos.)
Este
cativo é o estranho, o estranho em todos nós, que
deseja voltar para casa. No Anjo Carmesim o cativo escapou e se
encontra no deserto na presença de um ser que tem todas as
graças da adolescência. Este ser se denomina o filho
primogênito do criador, e ele diz, "Eu venho de além
do Monte Qaf. É lá que você estava no início
e é para lá que você voltará quando estiver
livre de suas correntes." [29]
Sohrawardi
nos diz que o Monte Qaf, a montanha cósmica, é Ápice
após de ápice e vale após que vale construído
de esferas celestiais cada qual envolvendo a outra. Onde então
está a estrada que conduz para fora, qual é a distância?
E o jovem diz, "Não importa até onde você
viajar, você sempre voltará ao ponto de partida".
Assim como a agulha da bússola volta para o ponto magnético.
Isto simplesmente significa que você tem que se deixar para
voltar a si mesmo? Não exatamente, porque enquanto isso,
um evento muito importante terá mudado tudo. O self que a
pessoa encontra lá, além do Monte Qaf, é um
self mais elevado, o self experienciado como "Vós."
Como Khezir [ou Khadir, o profeta misterioso ou mensageiro do Islã],
o vagante eterno, o viajante, precisa, no final, tomar banho na
Primavera de Vida. [Resumo de Corbin]
O texto diz ainda:
Aquele
que descobriu o significado da verdadeira realidade chegou à
fonte. Quando ele emerge da fonte está dotado com um dom
que o assemelha ao bálsamo, do qual uma gota destilada na
palma de sua mão, elevada contra o Sol, trans-passa à
parte de trás da mão. Se você for Khadir, você,
também, pode passar além do Monte Qaf sem dificuldade."
[30]
A
região além do Monte Qaf começa no centro convexo
da nona Esfera das Esferas que é a extremidade da realidade
conhecida na cosmologia islâmica. Esta é a esfera que
envolve o cosmo como um todo. Isto significa que para entrar na
realidade espiritual, ir além do Monte Qaf, é deixar
a esfera suprema que define todos os tipos de orientação
possíveis em nosso mundo. Uma vez que esta fronteira for
cruzada, diz Corbin, a pergunta de "onde", que quer dizer,
nossa localização no espaço se torna sem sentido.
Pelo menos em termos do significado que tem quando falamos em deixar
o "onde." Como diz Corbin:
Deixar
o "onde" é equivalente a deixar as aparências
externas ou naturais que encobrem as realidades internas escondidas,
assim como a amêndoa fica escondida na casca. Para o estranho,
o Gnóstico, este passo representa um retorno ao lar ou pelo
menos um esforço nesta direção.
Por
estranho que pareça, uma vez completada a viagem, a realidade
que até então deveria ser interna e escondida, acaba
envolvendo, encerrando ou contendo aquilo que no início era
externo e invisível. Como resultado da internacionalização
a pessoa saiu da realidade externa. De agora em diante a realidade
espiritual envolve, encerra e contém a dita realidade material.
[31]
Outros
já cruzaram esta fronteira, este limiar entre o físico
e espiritual e “internalizaram” de forma que o corpo
interno se tornou o universo inteiro. “Os céus que
giram, a terra de múltiplas camadas, os setenta mil véus,
que encontramos no corpo” cantou Yunnus Emre, um grande místico
turco. Este também é um dos grandes temas do Tantra
Indiano e Tibetano e se reflete nas doutrinas do Corpo Místico
de Cristo e o Homem Cósmico da Cabala, Adam Kadmon.
Os
Três Corpos ou Mundos do Buda Cósmico
Centro
de todos os centros, cerne dos cernes, amêndoa enclausurada
e adocicando
- todo este universo, até as estrelas mais longínquas,
e além delas, está sua carne, sua fruta.
Rainer Maria Rilke - Buddha em Glória [32]
Para
resumir algumas destas idéias difíceis e freqüentemente
paradoxais, quero deixar ao leitor um diagrama que pode ajudar a
explicar as metáforas por atrás da metafísica
dos três mundos aludidos por Corbin e por muitas outras tradições.
O diagrama usa três círculos sobrepostos para simbolizar
as três realidades interpenetrantes da clássico cosmologia
budista Mahayana, os três corpos (kayas) do Buda cósmico.
No mais baixo nível de manifestação há
o mundo físico ou sensório, o Nirmanakaya. Acima e
interconectado a este, pela perspectiva metafísica, está
o Sambhogakaya, o mundo sutil intermediário, e finalmente
há o mais elevado dos mundos, o Dharmakaya, o mundo informe
de puro espírito ou inteligências angelicais mais elevadas
do qual todos os outros mundos emanam. [33]
 |
| Dharmakaya
Pura luz do Vazio - sunyata
Luminosidade fundamental (Sogyal)
Inteligências arcangélicas (Sufi)
O não-dual (Advaita)
Fonte Divina (Eckhardt)
Al Haqq (Sufi)
Xvarnah (Mazdaism)
Sambhogakaya
Alam al-mithal (Sufi)
Mundus imaginalis/arquétipos
Metaxy: o reino intermediário (Platão)
Bardo ou "o intermediário" (Tibetano)
Alaya vijnana (Ioga)
Reino sutil, corpos sutis,
Daimonic ou reino espiritual,
Tempo do sonho (Aborígine australiano)
Anima mundi (Hermético)
Inconsciente coletivo (Jung)
O Nagual (Tolteca/Iaque)
Nirmanakaya
Realidade física, sensória
Samsara (Hindu/Budista)
O Tonal (Tolteca/Iaque)
|
|
Em
ordem descendente cada um dos mundos é concebido simbolicamente
como "corpos" ou kayas, quer dizer, como manifestações
de pura consciência, que é a raiz do significado de
Buda.
1.
O Dharmakaya é o que a antiga tradução
feita por Evans-Wentz de O Livro Tibetano dos Mortos
caracteriza como "a pura luz do vazio", sunyata. Como
darma, é cognato da Verdade mais elevada com o misterioso
e incognoscível tao do Taoísmo. Nas cosmologias Sufi
de Neoplatônicas de Sohrawardi, Plotino e Proclus, é
onde as inteligências angelicais residem. Este é o
"domicílio" supremo ou melhor a fonte da pura luminosidade
ou "luminosidade fundamental" como foi traduzido por Sogyal
Rinpoche. [34] É um estado em que não se consegue
nem falar em ter visões da Luz, porque se for alcançado
a pessoa é a visão; deixa de haver uma distinção
entre sujeito e objeto. É um estado além de todas
as distinções, o que em Vedanta é denominado
advaita ou não-dual.
2.
O Sambhogakaya emana do Dharmakaya; e é o mundo
visionário de universos múltiplos e formas sutis,
acima discutido extensivamente sob o nome que lhe foi dado por Henry
Corbin, o mundus imaginalis. Ele está como que entre o mundo
físico e a realidade suprema e informe que é pura
luz. Aqui pode-se encontrar todas as possibilidades de ser em seus
corpos sutis ou formas arquetípicas; mas também os
remanescentes de mundos anteriores denominados daimones pelos gregos
Platônicos e sombras dos mortos por Homero; estes reinos incluem
os ancestrais de todas as tradições. Recentemente,
Patrick Harpur propôs re-nomear a totalidade deste reino intermediário
de "realidade daimonic", [35] e enfatizou como ele interpenetra
o mundo físico na forma de fadas, fantasmas e fenômenos
paranormais.
Este
reino mediano é onde as experiências do Bardo tibetano
de encontros após a morte com antepassados e com as deidades
coléricas e benignas ocorrem e onde surgem visões
de vidas passadas. Também é onde cidades cósmicas,
os domicílios dos deuses e céus visionários
infinitos e infernos coexistem em relação não
espacial uns com os outros (mais sobre isto abaixo). É aqui
que toda a memória da humanidade e a experiência humana
existem em um estado de suspensão psíquica no que
é chamado de alaya-vijnana, ou "consciência guardada"
que forma o akasha ou campo etérico universal. [36] Nos ensinos
herméticos essa capacidade universal de manter todos os traços
de memória e todas as formas sutis, sejam angelicais ou demoníacas,
é chamada de anima mundi ou alma do mundo. Esse nível
da realidade é conhecido em tradições ocidentais
como mundo espiritual ou mundo astral.
3.
O Nirmanakaya simbolizado pelo círculo inferior,
é o mundo material transitório de tempo e espaço
sujeito a nascimento, decadência e morte. É o mundo
sensório, o mundo da física e biologia, construído
de células e partículas e ondas de luz. Da perspectiva
multi-dimensional da tradição sagrada é uma
manifestação, uma encarnação ou um "downloading"
dos mundos mais elevados. No ensinamento hindu e budista é
chamado de samsara, mundo do vir a ser, e é visto como essencialmente
ilusório, um jogo de condições evanescentes
composto do "material de sonhos" de Shakespeare. "Assim
deveríamos pensar sobre este mundo passageiro" disse
o Buda de forma semelhante em seu Sutra do Diamante:
Uma
estrela no amanhecer, uma bolha em um riacho
Um flash de relâmpago em uma nuvem de verão
Uma luz tremeluzindo, um fantasma e um sonho
Mover-se no Espaço Tempo Visionário
Um
dia que o sol admitiu:
Eu sou apenas uma sombra
Quisera poder lhe mostrar
A infinita incandescência
Que lançou minha imagem brilhante
Quisera poder lhe mostrar
Quando você está só ou na escuridão
A luz surpreendente
Do seu próprio ser
Hafiz [37]
Místicos
e poetas das principais tradições descreveram como
os três mundos interpenetram-se. O Sufi Al Ghazzali disse,
"O mundo visível foi feito para corresponder ao mundo
invisível, e não há nada neste mundo que não
seja um símbolo de algo naquele mundo." [38] Jung escreveu:
"Pense carnalmente e você permanecerá carne, pense
simbolicamente e você se tornará espírito."
[39]
O
mundo sutil é freqüentemente visto como se fosse um
espelho do mundo físico cujas formas físicas são
vistas como escuras quando comparadas. Como Alice, talvez tenhamos
de atravessar o espelho. “Um homem que olha um vidro, nele
seu olho pode ficar ou, se ele desejar, passar através dele
e então os céus espiar” disse George Herbert.
Mas
talvez a coisa mais difícil de compreender, da perspectiva
puramente materialista, é a própria natureza de espaço
psíquico no mundus imaginalis e como é que os seres,
em suas formas espirituais ou corpos sutis, podem mover-se dentro
e entre os vários mundos visionários intermediários.
Pois no mundo sutil nós encontramos representações
distintas de localização psíquica ou espiritual
no espaço. Polarizados dentro deste cosmo há mundos
mais "elevados" e "inferiores", "céus"
e "infernos", ou reinos "angelicais" e "demoníacos."
Como é então que os xamãs e visionários
como Dante podem viajar dentro e entre estes outros mundos?
Uma
pista importante nos foi dada pelo grande viajante visionário
Emmanuel Swedenborg. De sua própria experiência como
"alguém que caminhou com Deus" ele escreveu:
Embora
todas as coisas no céu apareçam no lugar e espaço
como o fazem no mundo, ainda assim os anjos não têm
nenhuma noção ou idéia de lugar e espaço.
[Na realidade] todas as progressões ou movimentos no mundo
espiritual são efetuados pelas mudanças no estado
interior.... consequentemente aqueles que estão próximos
dos outros estão em um estado semelhante e aqueles que estão
distantes são aqueles cujo estado é dissimilar. No
céu ou o reino espiritual os espaços são apenas
estados externos que correspondem aos interiores. [40]
Aquelas
almas que alcançaram um determinado estágio de crescimento
interior serão atraídas a outras almas semelhantes.
No mundo espiritual há um tipo de polarização
de formas evolutivas e involutivas. Em regressão e viagens
xamanistas entre os habitantes ancestrais do mundo intermediário
é comum encontrar agrupamentos de almas, ou famílias
que pertencem àquele grupo e que estão trabalhando
em um nível espiritual semelhante. Aqueles que se lembram
de experiências fora do corpo durante experiências de
quase morte informarão haver passado por camadas ou planos
onde se encontram diferentes agrupamentos de seres.
Em
meu livro sobre vidas passadas conto a história de uma jovem
que se lembrava de haver morrer como um centurião romano
que servira nos horrores do Coliseu. [41] Nos reinos do Bardo do
pós-morte o centurião, em seu corpo sutil, vai para
um plano inferior onde vê milhares de almas de cristãos
que foram martirizados, que se encontram em um estado de confusão
profunda e com raiva de Cristo por não os haver salvo. O
centurião porém havia se convertido ao Cristianismo
e morrera uma morte tranqüila. Consequentemente, ele se viu
subindo para além das almas confusas para um plano mais elevado
onde havia glória, luz e elogio. Aparentemente a alma do
centurião havia ido para os reinos angelicais.
A
imagem que mais constantemente se repete nas descrições
de mundos mais elevados é a de luz. Nos é dito que
a luz emanada pelos mundos mais elevados, o Dharmakaya, está
constantemente presente em todos os níveis de realidade.
Mas como esta radiância universal existe além da forma,
ela não se encontra dentro nem fora e se encontra ao mesmo
tempo dentro e fora; na realidade ela está por toda parte
e em parte alguma, conforme indicado pelo ditado Platônico
semelhante a um koan: "Deus é uma esfera cujo centro
por toda parte e cuja circunferência não está
em parte alguma." [42] Tais metáforas paradoxais de
misticismo dualista inevitavelmente racham os moldes da lógica
binária e a imaginação de tempo e espaço
é empobrecida de forma inenarrável. Na presença
de conhecimento tão supremo "toda a natureza treme,
todos os clérigos ficam bobos e todos os santos e anjos ficam
cegos" diz o autor anônimo de The Cloud of Unknowing
(A Nuvem do Desconhecimento). O salmista Davi também ficou
perplexo com as extraordinárias dimensões da Mente
Divina, o poder totalmente ilimitado do Espírito quando cantou:
Quão
incomensurável é sua mente, Mestre,:
ela contém mundos inconcebíveis
e é mais vasta que o espaço, que o tempo.
Se eu tentasse compreendê-la,
seria como um criança contando
os grãos de areia em uma praia.
Salmo 139 (trad. Mitchell)
Todos
os ensinamentos dizem, que quando viajamos no que Rumi chama de
“os caminhos do Self” que são como "feixes
de luz", que esta luz é a “luz pura do vazio”
que eternamente a tudo interpenetra e sustenta. Em sua visão
do Paraíso, Dante percebeu esta luz divina como "l'amor
che muove il e gli altri stelle" (o amor que move o sol e todas
as outras estrelas). [43] Geralmente apenas os grandes visionários
e santos podem ver e tolerar o estupendo brilho desta luz. Rumi
destaca que "os corpos de mulheres e homens santos têm
a capacidade de suportar a luz incondicional que pode transformar
em pedaços cadeias de montanhas." E não apenas
isto, os maiores mestres também incorporam essa luz por meio
do recipiente purificado de seus corpos sutis - tão habilmente
denominado corpo luminoso em muitas tradições. Rumi
nos diz: "A luz da face de José, quando este passava
por uma casa, filtrava pela gelosia e resplandecia na parede. As
pessoas notavam e diziam: — José deve estar passeando."
[44]
Frente
a esta luz e seres tão iluminados, quase todos nos sentimos
de forma semelhante aos discípulos de Jesus, conforme descrito
no Gnóstico Pistis Sophia, deslumbrados
por tanto brilho:
E
aquela luz-poder desceu sobre Jesus e o envolveu completamente,
enquanto ele estava sentado afastado de seus discípulos,
e ele reluziu excessivamente, e não havia qualquer medida
para a luz que estava nele.
E
os discípulos não tinham visto Jesus por causa da
grande luz em que ele estava, ou que estava sobre ele; porque seus
olhos ficaram escurecidos devido à grande luz em que ele
estava. Mas eles viram apenas a luz que refulgia muitos raios de
luz… em uma grande imensurável glória de luz.
Ela se estendia de debaixo da terra até o céu - E
quando os discípulos viram aquela luz, eles entraram em grande
medo e agitação.
Aconteceu
que quando aquela luz-poder desceu sobre Jesus, ela o envolveu gradual
e completamente. Então Jesus ascendeu ou planou nas alturas,
brilhando excessivamente em uma luz imensurável. E os discípulos
o contemplaram e nenhum deles falou; mas todos mantiveram profundo
silêncio. [45]
Conclusão: "o material dos sonhos"
Tal
então é o potencial para a iluminação
e transfiguração quando todos os três mundos
se manifestam em um ser ou lugar; "onde quer que se encontre
a Pegada seja, aquele punhado de pó contém a unidade
dos mundos" de acordo com o inspirado Sufi Ghalib. Pois na
realidade "o reino do Pai está espalhado sobre a terra
mas os homens não o vêem". [46] Só quando
se "limpa as portas da percepção" (Blake)
e consequentemente se abre os sentidos visionários inerentes
ao corpo sutil é que podemos começar a despertar nossa
consciência divina, para a luz que está em nosso interior.
Então, e só então, é que a natureza
multi-dimensional das coisas e a sua fundamental unidade se tornam
manifestas. Isto foi visto por Shelley da seguinte forma:
O
Uno permanece, os muitos mudam e passam;
A luz do céu brilha para sempre, as sombras da Terra voam,
A vida, como uma cúpula de muitos vidros coloridos,
Mancham a branca radiância da eternidade…
Flores, ruínas, estátuas, música, palavras,
são fracas
A glória que eles transfundem com própria verdade
para falar.
Adonais
Mas
talvez um dos maiores visionários de todos os tempos, com
seu último trabalho propositadamente Hermético, deva
ter a última palavra. Assim, concluindo, a magistral evocação
de Prospero do mundus imaginalis de Shakespeare em A Tempestade,
uma fala que de forma tão anelante ecoa as palavras do Buda
citadas mais cedo:
Nossos
deleites terminaram. Estes nossos atores,
Como já lhes havia dito, eram todos espíritos e
Derreteram no ar, no nada:
A tecedura infundada desta visão,
As torres cobertas por nuvens, os palácios deslumbrantes,
Os templos solenes, o próprio grande globo,
Sim, tudo que ele herda, se dissolverá
E como este suntuoso espetáculo teatral insubstancial esmoreceu,
Não deixe para trás nem uma ruína. Nós
somos do mesmo material
De que são feitos os sonhos, e nossa pequena vida
É envolvida por um sono.
Shakespeare, A Tempestade - 4º Ato, Cena 1 [47]
Notas:
1. Thevenaz, Pierre. What is Phenomenology? (O que é fenomenologia?)
Chicago, 1962, pg. 136-7.
2. Citado em Smith, Margaret, Al-Ghazzali The Mystic (Al-Ghazzali
– o místico), pg. 111.
3. Ghose, Aurobindo, The Synthesis of Yoga, (A síntese do
ioga) New York, 1951. Citados em Elmer e Alyce Green em Beyond Biofeedback,
(Além do biofeedback) pg. 63. Veja nota 6.
4. The Gospel of Thomas, (O evangelho de Tomás) traduzido
por A. Guillaumont et. al., E.J. Brill, Leiden, 1976 log. 29.
5. Heidegger, Martin. What is a Thing? (O que é uma coisa?),
Chicago, 1967, citado em Roberts Avens, Imaginal Body: Para-Jungian
Reflections on Soul, Imagination and Death (Corpo imaginário:
Reflexões Para-junguianas sobre a alma, imaginação
e morte), U. Press of America, Washington, D.C., 1982, pg. 165.
A crítica radical de Aven sobre a parapsicologia a vê
como fundamentalmente inútil por um dualismo que exclui a
alma. Sua obra merece ser lida por todos os pesquisadores da área.
6. Green, Alyce e Elmer, Beyond Biofeedback, (Além do Biofeedback)
Knoll, Ft. Wayne, Indiana, 1977.
7. Brennan, Barbara, Hands of Light: A Guide to Healing Through
The Human Energy Field, (Mãos de luz) Bantam, New York, 1988.
8. Tansley, David, Radionics and the Subtle Anatomy of Man (Radiônica
e a anatomia sutil do homem), Health Science, Saffron Walden, Essex,
England, 1972.
9. Bailey, Alice, The Light of the Soul: The Yoga Sutras of Patanjali
(A luz da alma: Os ioga Sutras de Patanjali), Lucis Trust, New York,
1927.
10. Veja Rossi, Ernest, L. e David Cheek, Mind-Body Therapy (Terapia
de corpo e mente), Norton, New York, 1994. A idéia de consciência
celular também é encontrada no trabalho perinatal
de Graham Farrant. Cf Satprem, The Mind of the Cells (A mente das
células), New York, 1982.
11.
Network, 63, April, 1997.
12. Veja especialmente: Krippner, Stanley e Daniel Rubin, Galaxies
of Light (Galáxias de luz), Interface, New York, 1973; White,
John e Stanley Krippner, Future Science, (Ciência futura)
Doubleday, New York, 1977; White, John, Kundalini, Evolution and
Enlightenment (Kundalini, evolução e iluminação),
Doubleday, New York, 1979.
13. “Bioplasm: The Fifth State of Matter?” (Bioplasma:
o quinto estado da matéria?) Inyushin, Viktor, M., em White,
Future Science, pg. 115, veja nota.
Mitchell, Stephen. The Enlightened Heart (O coração
iluminado). Harper, New York, 1989, pg. 16
15. The Kabir Book (O livro de Kabir), tradução Robert
Bly, Beacon Press, Boston, 1977, pg. 4.
16. Ghose, op. cit.
17. Bohm, David, em Renee Weber, (ed) Dialogues with Scientists
and Sages (Diálogos com cientistas e sábios). Routlege,
London. 1986. pg. 45-6.
18. Introdução a W. Tudor Pole e Rosamond Lehrman,
A Man Seen Afar (Um homem visto de longe).
19. These Branching Moments (Estes momentos ramificados), versões
por Coleman Barks, Copper Beech, 1988.
20. Kahlweit, Holger. Dreamtine and Inner Space (Hora do sonho e
espaço interno). Shambhala. Boulder, Colorado, 1992.
21. “The Visionary Dream in Islamic Spirituality” (O
sonho visionário na espiritualidade islâmica) em Grunebaum
e Caillais (eds.) The Dreams in Human Society (Os sonhos na sociedade
humana), U. of California Press, Berkeley, 1966.
22. Corbin, Henry, “Mundus Imaginalis or the Imaginary and
the Imaginal” (Mundo Imaginário ou o Imaginário
e o Imaginal), tradução Ruth Horine Spring, Zurich,
1972. Uma tradução mais completa deste trabalho está
publicada em Swedenborg and Esoteric Islam (Swedenborg e o Islã
esotérico), tradução Leonard Fox. Swedenborg
Foundation, West Chester, Pennsylvania, 1995.
Dentre outros trabalhos de Corbin sobre este tema há: Creative
Imagination in the Sufism of Ibn Arabi (Imaginação
criativa no Sufismo de Ibn Arabi), Bollingen, Princeton, 1969; Avicenna
and the Visionary Recital (Avicenna e o recital visionário),
Bollingen, Partheon, 1960 e Spiritual Body and Celestial Earth (Corpo
espiritual e Terra celestial). Bollingen, Princeton, 1977.
23. Simpósio, 202.
24. “Mundus Imaginalis”, pg. 9 (tradução
Horine)
25. Spiritual Body and Celestial Earth (Corpo espiritual e Terra
celestial). Bollingen, Princeton, 1977, pg. 79
26. Para uma boa pesquisa da literatura desse tipo de jornada veja
Zaleski, Carol, Otherworldly Journeys (Jornadas de outros mundos),
New York, 1989.
27. “Mundus Imaginalis”, pg. 2--6 (tradução
Horine).
28. São João da Cruz, Collected Works (Obras completas),
Ed. Kavanagh, e Rodriguez, ICS Publications, Washington, D.C., 1979.
29. “Mundus Imaginalis”, pg. 3 (tradução
Horine).
30. Ibid.
31. Ibid.
32. Mitchell, The Enlightened Heart (O coração iluminado),
pg. 131.
33. Os Três Mundos simbolizados pelos Kayas (“Corpos
do Buda”) estão bem explanados em Lauf, Detlef Ingo,
Secret Doctrines of the Tibetan Books of the Dead (Doutrinas secretas
do livro Tibetano dos mortos), Shambala, Boulder, 1977.
34. Sogyal Rinpoche, The Tibetan Book of Living and Dying (O livro
Tibetano dos vivos e dos mortos), Harper, New York, 1992, Cap. 16.
35. Harpur, Patrick, Daimonic Reality, Understanding Otherworld
Encounters (Realidade Daimonic, encontros de outros mundos, Arkana
Penguin, London, 1995.
36. Zimmer, Heinrich, Philosophies of India (Filosofias da Índia),
Bollingen, Princeton, 1951, pg.526. Cf. Sogyal, op.cit. pg.111.
37. Hafez. I Heard God Laughing (Ouvi Deus rindo), tradução
David Ladinsky, Pumpkin House Press, Myrtle Beach, South Carolina,
1997.
38.
Vide nota 2
39. Jung, C. G. Symbols of Transformation (Símbolos da transformação),
Bollingen, Princeton, 1951, pg. 226.
40. Emmanuel Swedenborg, Heaven and its Wonders and Hell (O céu
e suas maravilhas e o inferno), Swedenborg Foundation, New York,
1900.
41. Woolger, Other Lives, Other Selves (As várias vidas da
alma). Doubleday, New York, 1987.
42. Para uma discussão extensiva desta citação
vide, “The Fearful Sphere of Pascal” (A esfera temerosa
de Pascoal) por Jorge Luis Borges em Labyrinths (Labirintos), New
Directions, San Francisco, 1964.
43. Dante, Paradiso (Paraíso), Canto 33
44. Rumi. Feeling the Shoulder of the Lion (Sentindo o ombro do
leão), Tradução Coleman Barks. Threshold, Vermont,
1991
45. Pistis Sophia tradução G.R.S. Mead. Garber reprint,
New York 1984 (original edition 1896)
46. Gospel of Thomas (Evangelho de Tomás), ed. cit. logon
113.
47. Para o hermetismo de Shakespeare vide Frances A. Yates. Shakespeare’s
Last Plays (As peças de Shakespeare), Routlege, London, 1975;
Peter Dawkins. Shakespeare’s Wisdom in The Tempest (A sabedoria
de Shakespeare em A Tempestade). I.C. Media, London, 2000. Aldous
Huxley chegou a conclusões semelhantes em seu último
ensaio: “Shakespeare and Maya” (Shakespeare e Maya)
Vide Aldous Huxley: A Memorial Volume. Ed. Julian Huxley et al.
London 1968.
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